Marcelo Tostes Advogados, Faculdade de Direito da UFMG, IBMEC-MG, grandes empresas e AB2L debatem sobre a modernidade tecnológica no mundo jurídico

Postado por: In: Sem categoria 27 set 2017 Comentários: 0

“A próxima revolução tecnológica será na área do Direito”. Essa máxima dita por João Bonono, professor de inovação e empreendedorismo do Ibmec-MG, deu o tom ao debate na I Mesa Redonda Law & Technology. O evento ocorreu no dia 25 de setembro no auditório da faculdade, em Belo Horizonte. Estudantes, advogados, membros do judiciário e empreendedores debateram o futuro do Direito. As discussões giraram ao redor das chamadas lawtechs ou legaltechs, startups que oferecem produtos e serviços tecnológicos e inovadores para o setor jurídico.

As mais de duzentas pessoas que compareceram ao evento puderam conhecer, assim que chegaram, as tecnologias de dez startups que montaram seus stands no foyer da instituição.  As empresas exibiram ao público soluções de gestão processual e de correspondentes, de automação de documentos, mediação de conflitos e ainda outras tecnologias ligadas à informação e inteligência jurídicas.

Um encontro pioneiro e organizado por vários atores do ecossistema

O evento foi uma iniciativa do NErD – Núcleo de Empreendedorismo e Direito da Faculdade de Direito da UFMG, coordenado pela professora Dra. Marcella de Magalhães Gomes. Ela expôs suas reflexões na abertura do evento. Considerou que o foco das universidades e os objetivos da formação jurídica devem mudar: “Esse evento marca na cidade uma aliança entre a tecnologia e o Direito, que é visto como um ambiente conservador e com mudanças lentas. Mas é também uma aliança para a mudança do ensino. As escolas têm que começar a preparar os alunos para essa realidade, que exige do estudante de Direito e do jurista uma nova postura. Pelas novas tecnologias, acredito em um futuro com o Direito mais eficiente”, aponta.

Em seguida, a palavra foi passada a Tomaz Chaves, cofundador da Associação Brasileira de Legaltechs e Lawtechs (AB2L). Para o empreendedor, a ideia de destruição de vagas de trabalho em virtude da proliferação destas tecnologias é equivocada: “Há um grande receio em relação à chegada de inovações jurídicas, devido à suposta perda de mercado. Isso é um grande mito. Devemos pensar o cenário como oportunidade para um novo olhar mais estratégico e multidisciplinar na atuação do advogado”.

A abertura do evento contou ainda com a fala do advogado Marcelo Tostes, que explicou as razões de o escritório que leva seu nome patrocinar este tipo de acontecimento. Ele afirmou que vivemos uma modernização irreversível: “Em um mercado com 1 milhão de profissionais, o advogado se sobressai se inovar. Esse é o objetivo do nosso escritório. Crescemos sendo modernos, inovadores e investindo em tecnologia. Para fazer acordos em processos judiciais, apoiamos legaltechs há anos. Assim otimizamos nosso serviço. Na época sabíamos que por esse caminho estaríamos na vanguarda jurídica. Hoje é uma realidade, os escritórios não conseguem acompanhar o grande volume de processos. A resolução passa pelas legaltechs“, enfatiza.

O futuro do estudante de direito e do jurista

O encontro foi organizado em duas mesas redondas. Ambas tiveram como temática o futuro do Direito, mas com abordagens distintas. Na primeira, a ênfase foi dada à formação jurídica e ao perfil do egresso das universidades. Contou com a fala do já mencionado professor João Bonomo, da Professora Dra. Natália Chaves, da Faculdade de Direito da UFMG, e da Advogada Anna Martins, Coordenadora do Espaço Órbi de Inovação.

Nathália Chaves, professora da UFMG e especialista em Direito Empresarial, procura afastar os eventuais perigos gerados pela automação e vê a tecnologia como instrumento fundamental do jurista do futuro: “O advogado não deve temer a tecnologia, pois ela substitui alguns segmentos mas cria novas demandas”, opinou na mesa redonda.

Empresas e escritórios relatam nova realidade

Já a segunda mesa redonda, abordou as inovações e necessidades dos grandes escritórios de advocacia e dos departamentos jurídicos de importantes empresas. Contou com a presença de Fernando Drummond, do escritório Marcelo Tostes Advogados, de Tiago Brasileiro, da Martinelli Advogados,  Christiano Xavier, do departamento jurídico da Localiza, e de Guilherme Freitas, da MRV Engenharia.

Fernando Drummond, lembrou que cada vez mais as funções dos advogados serão ampliadas: “O profissional do direito tem que se reinventar. Teremos que saber operar as novas tecnologias. O futuro escritório de advocacia não será apenas de operação do Direito tradicional. Não existirão profissionais de carreira linear, o mercado demanda de pessoas multifuncionais. Assim, os advogados terão que se associar com essas novas tecnologias”, exemplifica.

Christiano Xavier, foi objetivo e otimista: “A tecnologia não vai acabar com o advogado. Ela vai qualificar o trabalho. As empresas têm que abraçar a inovação”.

Outra experiência de destaque é a da MRV Engenharia. Nos últimos anos, a empresa otimizou o serviço consideravelmente após o investimento em startups: “O mercado jurídico vai mudar? Não, ele já mudou. Eu trabalho só com tecnologia jurídica na MRV, proporcionando redução de custos, eficiência e com lógica de gestão. Por meio destas tecnologias, temos o histórico de resoluções dos juízes e das varas em determinados casos. Assim, sabemos se devemos fazer acordo ou brigar pela demanda”, conta Guilherme Freitas, responsável pelo planejamento de tecnologia jurídica da empresa.

As legaltechs apresentam seus pitches

Após o debate e o coffee break, as startups tiveram até cinco minutos para apresentarem seus pitches. Um pitch é uma apresentação curta e objetiva, normalmente destinada a investidores ou a pontenciais clientes, na qual a empresa demonstra o principal problema que se propõe a resolver, sua solução, mercado e modelo de negócio.

A sequencia de apresentações foi mediada pelo professor Dr. Roberto Novaes do Ibmec-MG, que comentou que os escritórios de advocacia irão se diferenciar pela adoção das novidades “Fazemos todo esforço para desenvolver tecnologias. Acreditamos na celeridade do direito tradicional por meio do surgimento de mecanismos de conciliação e acordos que vão evitar o acúmulo de processos, melhorando a resolução e a prestação de serviços institucional”.

Apresentaram os pitches as seguintes empresas:

-MTTech: Gestão automatizada da contratação, do custo, da qualidade de prestação do serviço e cumprimento dos prazos e providências pelos correspondentes.

-Contraktor: Gestão do ciclo de vida de contratos em nuvem. Provê soluções para acelerar o processo de fechamento de negócios pelas empresas.

-NetLex: Otimiza a criação e gestão de documentos

-Juris Correspondente: Plataforma especializada em divulgação e contratação de advogados correspondentes.

-D’Acordo: Mediação presencial e resolução online de conflitos. Prevenção, gerenciamento e resolução de conflitos por meio de totens, sistemas web e videoconferência.

-Cames: Resolução de Disputas. Câmaras para mediação e arbitragem de disputas utilizando sistemas de controle de processos eletrônicos e automatizados.

-SpedAuditor: Saas para a verificação e validação do SPED. Geração de relatórios de inteligência de negócio a partir da EFD.

-Veja meu Processo: Plataforma de compartilhamento e consultas de processos.

-Jurídico Certo: Plataforma para gestão, contratação e pagamento de correspondentes.

-Mercatório: Marketplace para compra e venda de precatórios.

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